A Criação
Enquanto o Luzeiro descia ao vale do Éden original, no Monte Santo, para corromper uma terça parte dos anjos que serviam a Deus na adoração das congregações do vale — orientando-os a registrar menos pedras afogueadas (Is 6; Ez 28) —, os vinte e quatro anciãos se revoltavam com o que sabiam a respeito. As pedras afogueadas que chegavam para serem postas no Altar de Ouro vinham com uma terça parte a menos do que se esperava das congregações de anjos. Enquanto eles se perguntavam se Deus, o Criador, sabia daquela farsa, o Senhor Jeová seguia em direção ao Centro de Criação do mundo habitável (Pv 8; Gn 2) para dar continuidade à sua obra criadora e a tudo o que estaria no firmamento, no fundo das águas (2 Pe 3:4-6).
22O Senhor Jeová me possuiu como as primícias de suas obras mais antigas.
Antes, no mundo espiritual e eterno23Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes da origem da terra.
Antes do mundo físico24Quando ainda não havia abismos, fui dada à luz, e antes ainda de haver mananciais de água abundante.
Na dispensação do mistério (Ef 3:9)25Antes que os montes fossem estabelecidos, antes dos outeiros, Eu Sou.
No Gênesis, no laboratório do Ancião de Dias26Quando ele ainda não tinha feito a terra nem os seus campos, nem sequer o princípio da poeira do cosmos.
A expansão (Gn 1:6)27Quando ele estabelecia os céus, aí estava eu; quando fez um círculo sobre a face do abismo,
28quando consolidava o firmamento, quando os mananciais subterrâneos mostravam o seu poder;
29quando ele decretou ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mandamento; quando estabelecia os fundamentos da terra; (Jó 38:10)
A Sabedoria como arquiteto, e a alegria divina30então, eu estava com ele e era o seu arquiteto; e eu era diariamente as suas delícias, divertindo-me diante dele em todo o tempo;
A terra habitável entre os planetas31divertindo-me no seu mundo habitável, desfrutando os meus deleites com os filhos dos homens.
Em busca da Imagem perfeita para criar o homem, Deus criava também as aves, os animais terrestres e os peixes do mar; mas perseguia a perfeição da Imagem — o corpo de Cristo —, na qual também se basearia para criar o homem.
Ele é a imagem do Deus invisível, e o Primogênito de toda a criação.
(1) O dominador e a obra-prima (Gn 1:26): o homem feito segundo o padrão existente, Cristo (Cl 1:15) — o ser, com a alma e com o espírito. A Imagem era o seu corpo, anteriormente preparado; a semelhança, a parte espiritual; feito para dominar em todas as áreas (Hb 10:5; Cl 1:15). Deus fala no plural, entre as suas três pessoas, mas se referia, no singular, à sua imagem: “à nossa”. A comunicação da divindade: são três pessoas distintas, que possuem um só nome, um só corpo, iguais em poder, em glória e em senhorio. Não temos três deuses, porque não temos três corpos nem três vínculos de unidade, mas um só corpo e um só vínculo; se esse vínculo fosse quebrado, teríamos três deuses em manifestação visível (Hb 1:3,4). Mas a única imagem de Deus é Cristo — criada por Deus para a sua futura habitação. É o corpo literal de Cristo (Cl 1:15), que esperava a encarnação. Deus protegia essa imagem; nenhuma imagem que o homem criasse seria parecida com ela (Rm 1:23): não era imagem de um bezerro nem fruto da mente humana, era o corpo de Cristo.
O homem foi feito segundo essa imagem. A parte espiritual, invisível, do seu ser não revelado era a semelhança espiritual de Deus. Deus é de natureza espiritual; naquele tempo, era dicótomo — formado de Espírito e Alma —, faltando-lhe a encarnação, pendente em sua mente, de acordo com a imagem criada para isso (Cl 1:16).
A diferença entre as palavras “façamos”, do existente (“ash”), e “criar”, do inexistente (“barah”), é mostrada claramente: “façamos” indica a obra de Deus a partir do barro (Gn 2:7), e “criou” (v. 27) indica o momento em que Deus planejava a sua criação. Que imagem e semelhança eram estas? A imagem era o corpo de Cristo; a semelhança, o seu ser espiritual, formado com a natureza de alma eterna e espírito vivificante. Por que disse que fizessem o homem segundo a sua imagem e, logo a seguir, tomou do barro e o formou? Porque o criou antes em sua mente; e o primeiro Adão veio a ser figura do Segundo Adão, pois este foi reservado para ser encarnado no ventre de Maria — quando o último passa a ser o primeiro, e o primeiro, o último.
Assim, a natureza do homem passou a compor-se de homem interior e homem exterior (Rm 7:22). No exterior de barro, Deus colocou os tesouros da mesma natureza desse homem interior, isto é, tesouros espirituais. Deus fez para si, antes de tudo, um protótipo em forma de imagem, capaz de se desenvolver no ventre de uma mulher, e o guardou para a encarnação; por isso, foi o Primogênito da criação (Cl 1:15). Ele não criou aquela imagem original na sua mente e, em seguida, a construiu de imediato: criou-a e a guardou (Gn 1:26). Por isso, na hora da formação do homem terreno, já havia uma “maquete”, sob cuja arquitetura podiam formá-lo na terra (Gn 2:7). Assim, formou o corpo do barro e a alma a partir da união com a natureza espiritual. Isto não quer dizer que Deus tenha um corpo — pois se limitaria demasiadamente —, mas que preparou para si um corpo a fim de se revelar em meio à sua obra (Hb 10:5).
Deus não envelhece, não se enruga, não se vicia, não se fere, não se desfigura, não se debilita, não murcha nem se corrompe; é invisível, imutável e inefável. Quando os profetas descrevem a cabeça branca do Senhor, semelhante à neve, falam da sua experiência; quando falam dos seus ouvidos, falam da sua atenção à nossa súplica; quando falam das suas mãos, falam de que todas as coisas foram feitas por Ele; quando falam dos seus olhos, falam da sua onipresença; quando falam da sua boca, falam da fluência e da imutabilidade da sua Palavra; quando falam dos seus lábios, falam da sua nobreza e do empenho de suas promessas irrevogáveis; quando falam da sua língua, falam da sua sabedoria; quando falam dos seus pés, falam da sua presteza em nos socorrer e do domínio do seu Reino; quando falam do seu perfume, falam da sua majestade; quando falam da manifestação do seu rosto, falam do seu perdão; quando falam do dedo de Deus, falam da sua obra imutável e incomparável; quando falam dos seus braços estendidos, falam do alcance da sua salvação, da extensão do seu domínio e da obra expiatória do seu Filho. Este, sim, assumiu o corpo humano e o elevou à posição de vestimenta de Deus, depois da sua encarnação e ressurreição (Sl 8).
A imagem de Adão enalteceu-se com a glória deste mundo, enquanto a semelhança continua a sua procura pelo Criador, pois ama a vida eterna, as coisas celestiais e divinas; é santa e misericordiosa. Já a imagem, até o novo nascimento, ama os vícios da concupiscência pela vida perene. Nada podia tirar do coração esse amor pela vida terrena sem Deus, sem Cristo; por isso, Deus se revestiu de uma imagem, pela encarnação, a fim de comunicar-se ao homem e atraí-lo às coisas da sua semelhança.
(A encarnação de Cristo.) As três pessoas da divindade perguntam: “Quem há de ir por nós?”. Antes da encarnação de Cristo, quem comunicaria a Palavra do Senhor? Isaías era um tipo de Cristo, pois a sua mensagem foi repetida por Cristo no seu ministério (Mt 12:37,38; 13:35).
Em seguida, ouvi a voz do Senhor Jeová, que dizia: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?” Então, eu respondi: “Eis-me aqui. Envia-me a mim”. (Ez 10:5; At 9:4; 26:19)
A ordem dos textos da Bíblia deveria ser esta, pois os fatos provam que assim foram: (1) a conclusão da palavra criadora de Deus, no seu laboratório do mundo habitável, em algum lugar da eternidade, antes mesmo que tudo aparecesse. O que faltava, quando tudo estava acabado? O homem!
Eis as origens dos céus e da terra, quando foram criados, no dia em que o Senhor (Jeová) Deus (Elohim) fez a terra e os céus. O texto mostra os vocábulos criar e fazer: a criação planejada (“barah”) e a executada (“ash”), esta baseada na matéria-prima já existente.
Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados (“do inexistente”). No dia em que o Senhor Deus fez (“do existente”) a terra e os céus.
A necessidade do aparecimento do homem: depois do sexto dia, aparentemente nada ainda estava pronto; não havia nenhuma planta do campo na terra, pois nenhuma erva havia brotado. Devocionalmente, entendemos que Deus não faria brotar nada sem a certeza de que haveria um homem para administrar a sua obra. A existência do homem requer chuva — isto é, são necessárias a nossa parte e a parte de Deus. Antes do aparecimento do homem, Deus não enviou a chuva; depois dela, tudo brotou. Agora, Deus cria o homem, uma vez que a sua provisão já estava providenciada.
Nenhuma planta do campo estava na terra, pois até então nenhuma erva tinha crescido, porque o Senhor Jeová ainda não tinha feito chover sobre a terra, e nem havia homem que a lavrasse. (Gn 1:12; Jó 38:26-28)
Os recursos, devidamente preparados, são bênçãos providas antecipadamente, diante de grandes necessidades. Eis o grande segredo de uma vida humana longa e farta de anos — e a razão por que muitas espécies desapareceram da terra: a falta do clima original, como aquele vapor que subia da terra e a regava.
Um vapor, porém, subia da terra e regava toda a superfície da terra.
A terra foi criada como uma massa trabalhada pelo Espírito Santo no meio das águas (Gn 1:1–2:25). Deste ponto até a encarnação de Cristo, estaremos em plena dispensação do mistério (Ef 3:2). Antes do versículo três de Gênesis, muitas eras da grande eternidade (“kairos”) passaram, mas o tempo ainda não existia. Na eternidade, a terra estava no meio das águas, sem firmamento (Gn 1:2; 2 Pe 3:5).
Antes de executar toda a sua obra, Ele festejou a sua criação tomando um Cordeiro, tipificando o Cristo que havia de vir. Por isso, a Bíblia diz que o Cordeiro foi imolado antes da fundação do mundo (um tipo de “sexta-feira”, na eternidade); por isso, também, deveria descansar no sétimo dia, tipo do futuro sepultamento de Cristo.
Nada estava pronto na realidade — somente nos planos de Deus, no seu laboratório. No meio das águas, antes da existência do firmamento, a terra navegava, enquanto Deus, no seu precioso mundo da eternidade, esperava o desenvolvimento das suas leis criadoras.
A obra criadora foi primeiramente formada na sua mente e criada no seu laboratório eterno, pois Ele precisava de um Profeta que fosse adiante dele, mesmo sendo o Criador (Êx 7:1): o Verbo estava na boca do seu Profeta, o Espírito Santo (Gn 1:2). O Profeta era o Espírito Santo, e o Verbo, o executivo — necessário, pois assim a palavra se tornaria realidade quando saísse da boca do Ancião de Dias (Dn 7:13).
Quando Ele criou os céus e a terra, já havia criado os anjos, com as suas diversas classes, e o mundo eterno de Deus já existia. Paulo chamará esse tempo de “dispensação do mistério”. Nesse período, o Verbo não estava revelado; somente o Ancião de Dias, hoje conhecido como Pai, estava assentado no Trono (Ap 4:1-3). A Nova Jerusalém era apenas um plano. Ele habitava no monte santo chamado Sião (original), em cuja plataforma estava o Éden original de Deus, onde os anjos habitavam e trabalhavam nas congregações, e onde o Luzeiro (Lúcifer) foi um dos querubins guardadores — o único conhecido como aferidor das medidas e condutor das pedras afogueadas (Ez 28:11-15).
Como tudo o que havia abaixo do Éden original (não o de Adão e Eva) era água, a terra foi primeiramente criada no meio das águas, sem forma e vazia (2 Pe 3:4,5). Por milhões de anos, comparados aos dias eternos, a terra esteve como um grande peixe no meio das águas, até a hora de Deus (Gn 1:6; 2 Pe 2:5). Os céus eram somente águas. Depois de algum período eterno, Ele veio executar as demais partes.
Antes, porém, o Espírito Santo deveria incubar e fertilizar aquelas águas; depois do seu trabalho, Ele chegou com a Palavra executiva. Os verbos que usa, no capítulo um, são imperativos. Tudo acontece invisivelmente: houve ordens segundo a Palavra criadora, mas, aparentemente, nada se moveu — apenas a ordem. Somente diante dos brilhantes olhos do Criador tudo apareceu, em fé, pois a sua Palavra era infalível e não voltaria vazia. Somente no tempo do versículo 5, do capítulo dois, as coisas começam a aparecer e as ervas a brotar. A partir daí, vemos a execução preciosa da sua Palavra. Não foi uma vara milagrosa, foi uma ordem criadora; e tudo deveria obedecer às suas leis, de acordo com a obra incubadora e fertilizadora do Espírito Santo (Gn 1:2).
Os céus eram água, lama, sem firmamento (2 Pe 3:5,6). “E a terra” estava no meio das águas lamacentas do cosmos, sob as muitas águas das comportas celestes — sob cuidado e fertilização divina, a fim de ser trabalhada pelo Ancião de Dias. A terra não estava no espaço, mas no meio das águas, ainda que primeiro estivesse sem forma e vazia, navegando como um submarino em meio às lamas. A terra não foi criada juntamente com os céus: primeiro Deus criou os céus; depois, a terra — esta, sem forma e vazia, no meio das águas. Mas aqueles céus eram compostos de muitas águas! A terra navegava como um peixe informe, sendo fertilizada pelo Espírito Santo (1 Pe 3:4,5). O firmamento conhecido só viria a ser criado depois, no interior dessas águas. Antes, porém, havia o Céu dos céus, onde os céus eram somente águas e tinham os seus limites (Jó 26:8,10). Os novos céus foram assim chamados depois que, no meio dessas águas, Deus abriu uma expansão, na qual trabalhou a partir do versículo seis.
O verbo “barah”, aqui, deve ser entendido como “criar do nada, do inexistente”, para contrastar com o verbo “criar do existente, do feito”, usado posteriormente (Gn 1:26). A coexistência da Sabedoria: a importância da Sabedoria, que é Cristo, na criação dos céus e da terra — a Sabedoria e a inteligência como instrumentos do trabalho divino (vv. 19,20).
Pela sabedoria, o Senhor Jeová criou a Terra; pela inteligência, ele estabeleceu os Céus (Sl 136:5). A sabedoria influi no alto e no profundo. Pela sua inteligência se fenderam os abismos, e as nuvens dos céus destilaram o orvalho.
No (“em um”) princípio, Deus criou (“do inexistente”) os céus e a terra. (Ap 10:6; Jo 1:1,2; Sl 8:3; Is 42:5; 44:24; 45:18)
A condição da terra, quando tudo era água (2 Pe 3:5): a obra de Deus estava em plena execução; a terra não estava assim por algum sinistro, mas esperava a obra fertilizadora do Espírito Santo. É o primeiro tipo do Cordeiro, que estaria sepultado — informe, vazio e em trevas —, um tipo do grande “sábado na eternidade” (1 Pe 1:20). O Criador, em sete dias literais, finalizaria essa obra que planejou, testou e executou na eternidade. A terra era sem forma porque esse foi o processo natural da Criação — não foi obra de um acidente, nem houve acidente algum destinado a frustrar as obras de Deus; nenhum de seus planos pode ser frustrado. Era um princípio normal para Ele, o começo seguro de suas obras.
Ele não fez nada como se tivesse uma varinha mágica: o processo da Criação foi seguro e sustentável. A terra não estava no espaço — era um bebê no ventre do universo divino, assim como o ser humano permanece no meio das águas por nove meses. “Era vazia” porque ainda esperava a ordem para começar a germinar; precisava ser incubada, trabalhada, preparada. Paulo fala das dores de parto da Criação (Rm 8:5-15). Mas o Espírito de Deus incubava a superfície das águas, enquanto Deus trabalhava no seu laboratório criador, o mundo habitável. O Espírito Santo trabalhava esta terra, incubando-a, dando-lhe vida e calor, para que ouvisse a voz criadora do Ancião de Dias.
A obra do Espírito Santo no Antigo Testamento foi gloriosa. Começa com a sua saída do Trono, onde fora testemunha da rebelião do Luzeiro (Lúcifer). Veio preparar o terreno para a edificação de um povo de adoradores que continuasse o trabalho, em lugar da terça parte dos anjos expulsa da presença de Deus. Por isso, Paulo diz que fomos feitos para um propósito maravilhoso: para louvor da glória de Deus. O plano não se tornaria realidade se Ele não se envolvesse pessoalmente, profunda e poderosamente. A principal ação do Espírito Santo era mover-se sobre algo, pois o seu mover sempre foi pró-investimento; Ele nunca se move senão para a glorificação de Deus. Desde o princípio, esse foi o seu mover preparatório para uma grande criação: havia de mover-se para fertilizar a terra, preparando-a para a obra criadora.
O “tempo” era uma palavra mal-entendida, pois, antes do “haja luz”, havia apenas eras ou gerações eternas. Ali estava o Espírito Santo — e onde Ele está há liberdade. Se o Espírito quer mover-se, devemos permitir que se mova.
O grande mistério da saída de Israel do Egito é revelado aqui, na obra da Criação. Lendo Êxodo 14, entendemos por que as trevas e a morte do primogênito seriam as pragas finais antes do êxodo de Israel (Êx 10:21-29; Gn 1:2); por que os primogênitos morreriam (Êx 12:29-33; 13:1-16); por que haveria a separação das águas no mar Vermelho (Êx 14:21; Gn 1:6-10); por que haveria luz no caminho (Êx 13:21); por que Israel passaria quarenta anos no deserto colhendo o maná (equivalentes aos seis dias da Criação), e por que o maná deixaria de cair no sétimo dia, lembrando o descanso de Deus (Gn 2:3-6); por que saiu um vapor da terra (Gn 2:6), lembrando o mover do Espírito Santo sobre a terra sem forma e vazia — tipo do derramamento final do Espírito Santo sobre a nova Criação, em Cristo; e por que Caim deveria oferecer as primícias dos cereais (Êx 13:1-16) e Abel, o primogênito dos seus cordeiros:
A terra estava informe e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus soprava sobre a superfície das águas. (Jr 4:23; Sl 104:30; Êx 14:21,26)
The Creation
While the Luminary descended to the valley of the original Eden, on the Holy Mount, to corrupt a third part of the angels who served God in the worship of the congregations of the valley — instructing them to register fewer burning stones (Isa 6; Ezek 28) —, the twenty-four elders were indignant at what they knew about it. The burning stones that arrived to be placed on the Golden Altar came with a third less than was expected from the congregations of angels. While they wondered whether God, the Creator, knew of that farce, the Lord JeHoVaH was heading toward the Creation Center of the habitable world (Prov 8; Gen 2) to continue His creative work and all that would be in the firmament, in the depths of the waters (2 Pet 3:4-6).
22The Lord JeHoVaH possessed me as the firstfruits of His most ancient works.
Before, in the spiritual and eternal world23From eternity I was established, from the beginning, before the origin of the earth.
Before the physical world24When there were yet no depths, I was brought forth, and before there were fountains abounding with water.
In the dispensation of the mystery (Eph 3:9)25Before the mountains were established, before the hills, I Am.
In Genesis, in the laboratory of the Ancient of Days26When He had not yet made the earth nor its fields, nor even the beginning of the dust of the cosmos.
The expanse (Gen 1:6)27When He established the heavens, there I was; when He made a circle over the face of the abyss,
28when He consolidated the firmament, when the subterranean fountains showed their power;
29when He decreed to the sea its limit, so that the waters would not transgress His commandment; when He established the foundations of the earth; (Job 38:10)
Wisdom as architect, and the divine joy30then I was with Him and was His architect; and I was daily His delight, rejoicing before Him at all times;
The habitable earth among the planets31rejoicing in His habitable world, enjoying my delights with the sons of men.
In search of the perfect Image with which to create man, God was also creating the birds, the land animals, and the fish of the sea; but He pursued the perfection of the Image — the body of Christ —, on which He would also base Himself to create man.
He is the image of the invisible God, and the Firstborn of all creation.
(1) The ruler and the masterpiece (Gen 1:26): man made according to the existing pattern, Christ (Col 1:15) — the being, with the soul and with the spirit. The Image was His body, prepared beforehand; the likeness, the spiritual part; made to rule in all areas (Heb 10:5; Col 1:15). God speaks in the plural, among His three persons, but referred, in the singular, to His image: “to our.” The communication of the divinity: they are three distinct persons, who possess one single name, one single body, equal in power, in glory, and in lordship. We do not have three gods, because we do not have three bodies nor three bonds of unity, but one single body and one single bond; if this bond were broken, we would have three gods in visible manifestation (Heb 1:3,4). But the only image of God is Christ — created by God for His future dwelling. It is the literal body of Christ (Col 1:15), which awaited the incarnation. God protected this image; no image that man might create would be like it (Rom 1:23): it was not the image of a calf nor the fruit of the human mind, it was the body of Christ.
Man was made according to this image. The spiritual, invisible part of his unrevealed being was the spiritual likeness of God. God is of a spiritual nature; at that time, He was dichotomous — formed of Spirit and Soul —, lacking the incarnation, pending in His mind, according to the image created for it (Col 1:16).
The difference between the words “let us make,” from the existing (“ash”), and “to create,” from the nonexistent (“barah”), is clearly shown: “let us make” indicates the work of God from the clay (Gen 2:7), and “He created” (v. 27) indicates the moment in which God was planning His creation. What image and likeness were these? The image was the body of Christ; the likeness, His spiritual being, formed with the nature of an eternal soul and a life-giving spirit. Why did He say to make man according to His image and, right afterward, took from the clay and formed him? Because He created him beforehand in His mind; and the first Adam came to be a figure of the Second Adam, for the latter was reserved to be incarnated in the womb of Mary — when the last becomes the first, and the first, the last.
Thus, the nature of man came to be composed of an inner man and an outer man (Rom 7:22). In the outer man of clay, God placed the treasures of the same nature as that inner man, that is, spiritual treasures. God made for Himself, first of all, a prototype in the form of an image, capable of developing in a woman’s womb, and kept it for the incarnation; therefore, He was the Firstborn of creation (Col 1:15). He did not create that original image in His mind and then build it at once: He created it and kept it (Gen 1:26). Therefore, at the hour of forming the earthly man, there was already a “model,” under whose architecture they could form man on the earth (Gen 2:7). Thus, He formed the body from the clay and the soul from the union with the spiritual nature. This does not mean that God has a body — for He would limit Himself too greatly —, but that He prepared for Himself a body in order to reveal Himself in the midst of His work (Heb 10:5).
God does not age, does not wrinkle, does not become addicted, does not wound Himself, does not become disfigured, does not weaken, does not wither nor become corrupted; He is invisible, immutable, and ineffable. When the prophets describe the white head of the Lord, like snow, they speak of His experience; when they speak of His ears, they speak of His attention to our supplication; when they speak of His hands, they speak of the fact that all things were made by Him; when they speak of His eyes, they speak of His omnipresence; when they speak of His mouth, they speak of the fluency and the immutability of His Word; when they speak of His lips, they speak of His nobility and of the commitment of His irrevocable promises; when they speak of His tongue, they speak of His wisdom; when they speak of His feet, they speak of His readiness to help us and of the dominion of His Kingdom; when they speak of His fragrance, they speak of His majesty; when they speak of the manifestation of His face, they speak of His forgiveness; when they speak of the finger of God, they speak of His immutable and incomparable work; when they speak of His outstretched arms, they speak of the reach of His salvation, of the extent of His dominion, and of the atoning work of His Son. This One, indeed, assumed the human body and raised it to the position of the garment of God, after His incarnation and resurrection (Ps 8).
Adam’s image exalted itself with the glory of this world, while the likeness continues its search for the Creator, for it loves eternal life, celestial and divine things; it is holy and merciful. The image, on the other hand, until the new birth, loves the vices of the lust for perennial life. Nothing could remove from the heart that love for earthly life without God, without Christ; therefore, God clothed Himself with an image, through the incarnation, in order to communicate Himself to man and draw him to the things of His likeness.
(The incarnation of Christ.) The three persons of the divinity ask: “Who will go for us?” Before the incarnation of Christ, who would communicate the Word of the Lord? Isaiah was a type of Christ, for his message was repeated by Christ in His ministry (Matt 12:37,38; 13:35).
Then I heard the voice of the Lord JeHoVaH, saying: “Whom shall I send, and who will go for us?” Then I answered: “Here am I. Send me.” (Ezek 10:5; Acts 9:4; 26:19)
The order of the Bible texts should be this, for the facts prove that it was so: (1) the conclusion of the creative word of God, in His laboratory of the habitable world, somewhere in eternity, even before everything appeared. What was lacking, when everything was finished? Man!
Behold the origins of the heavens and the earth, when they were created, in the day in which the Lord (JeHoVaH) God (Elohim) made the earth and the heavens. The text shows the words to create and to make: the planned creation (“barah”) and the executed one (“ash”), the latter based on the raw material already existing.
These are the origins of the heavens and the earth, when they were created (“from the nonexistent”). In the day in which the Lord God made (“from the existing”) the earth and the heavens.
The necessity of the appearance of man: after the sixth day, apparently nothing was yet ready; there was no plant of the field on the earth, for no herb had yet sprouted. Devotionally, we understand that God would not make anything sprout without the certainty that there would be a man to administer His work. The existence of man requires rain — that is, both our part and God’s part are necessary. Before the appearance of man, God did not send the rain; after it, everything sprouted. Now, God creates man, since His provision was already prepared.
No plant of the field was on the earth, for until then no herb had grown, because the Lord JeHoVaH had not yet made it rain upon the earth, and there was no man to till it. (Gen 1:12; Job 38:26-28)
Resources, duly prepared, are blessings provided in advance, before great needs. Here is the great secret of a long human life full of years — and the reason why many species disappeared from the earth: the lack of the original climate, like that vapor that rose from the earth and watered it.
A vapor, however, rose from the earth and watered the whole surface of the earth.
The earth was created as a mass worked by the Holy Spirit in the midst of the waters (Gen 1:1–2:25). From this point until the incarnation of Christ, we will be in the full dispensation of the mystery (Eph 3:2). Before the third verse of Genesis, many ages of the great eternity (“kairos”) passed, but time did not yet exist. In eternity, the earth was in the midst of the waters, without a firmament (Gen 1:2; 2 Pet 3:5).
Before executing all His work, He celebrated His creation by taking a Lamb, typifying the Christ who was to come. Therefore, the Bible says that the Lamb was slain before the foundation of the world (a type of “Friday,” in eternity); therefore, too, He was to rest on the seventh day, a type of the future burial of Christ.
Nothing was ready in reality — only in the plans of God, in His laboratory. In the midst of the waters, before the existence of the firmament, the earth sailed, while God, in His precious world of eternity, awaited the development of His creative laws.
The creative work was first formed in His mind and created in His eternal laboratory, for He needed a Prophet who would go before Him, even being the Creator (Ex 7:1): the Word was in the mouth of His Prophet, the Holy Spirit (Gen 1:2). The Prophet was the Holy Spirit, and the Word, the executive — necessary, for thus the word would become reality when it went forth from the mouth of the Ancient of Days (Dan 7:13).
When He created the heavens and the earth, He had already created the angels, with their various classes, and the eternal world of God already existed. Paul will call this time the “dispensation of the mystery.” In that period, the Word was not revealed; only the Ancient of Days, today known as the Father, was seated on the Throne (Rev 4:1-3). The New Jerusalem was only a plan. He dwelt on the holy mount called Zion (original), on whose platform was the original Eden of God, where the angels dwelt and worked in the congregations, and where the Luminary (Lucifer) was one of the guardian cherubim — the only one known as the gauger of the measures and conductor of the burning stones (Ezek 28:11-15).
Since everything that was below the original Eden (not that of Adam and Eve) was water, the earth was first created in the midst of the waters, formless and empty (2 Pet 3:4,5). For millions of years, compared to the eternal days, the earth was like a great fish in the midst of the waters, until the hour of God (Gen 1:6; 2 Pet 2:5). The heavens were only waters. After some eternal period, He came to execute the remaining parts.
But first, the Holy Spirit was to incubate and fertilize those waters; after His work, He came with the executive Word. The verbs He uses, in chapter one, are imperatives. Everything happens invisibly: there were orders according to the creative Word, but, apparently, nothing moved — only the order. Only before the brilliant eyes of the Creator did everything appear, by faith, for His Word was infallible and would not return empty. Only at the time of verse 5, of chapter two, do things begin to appear and the herbs to sprout. From there, we see the precious execution of His Word. It was not a miraculous rod, it was a creative order; and everything was to obey His laws, according to the incubating and fertilizing work of the Holy Spirit (Gen 1:2).
The heavens were water, mud, without a firmament (2 Pet 3:5,6). “And the earth” was in the midst of the muddy waters of the cosmos, beneath the many waters of the celestial floodgates — under divine care and fertilization, in order to be worked by the Ancient of Days. The earth was not in space, but in the midst of the waters, even though it was first formless and empty, sailing like a submarine in the midst of the mud. The earth was not created together with the heavens: first God created the heavens; then, the earth — the latter, formless and empty, in the midst of the waters. But those heavens were composed of many waters! The earth sailed like a formless fish, being fertilized by the Holy Spirit (1 Pet 3:4,5). The known firmament would only come to be created afterward, within these waters. But before, there was the Heaven of heavens, where the heavens were only waters and had their limits (Job 26:8,10). The new heavens were so called after, in the midst of these waters, God opened an expanse, in which He worked from verse six onward.
The verb “barah,” here, must be understood as “to create from nothing, from the nonexistent,” to contrast with the verb “to create from the existing, from the made,” used later (Gen 1:26). The coexistence of Wisdom: the importance of Wisdom, who is Christ, in the creation of the heavens and the earth — Wisdom and intelligence as instruments of the divine work (vv. 19,20).
By wisdom, the Lord JeHoVaH created the Earth; by intelligence, He established the Heavens (Ps 136:5). Wisdom flows into the heights and the depths. By His intelligence the abysses were cleaved, and the clouds of the heavens distilled the dew.
In (“in a”) beginning, God created (“from the nonexistent”) the heavens and the earth. (Rev 10:6; John 1:1,2; Ps 8:3; Isa 42:5; 44:24; 45:18)
The condition of the earth, when everything was water (2 Pet 3:5): the work of God was in full execution; the earth was not so because of some disaster, but awaited the fertilizing work of the Holy Spirit. It is the first type of the Lamb, who would be buried — formless, empty, and in darkness —, a type of the great “sabbath in eternity” (1 Pet 1:20). The Creator, in seven literal days, would finish this work that He planned, tested, and executed in eternity. The earth was formless because that was the natural process of Creation — it was not the work of an accident, nor was there any accident destined to frustrate the works of God; none of His plans can be frustrated. It was a normal principle for Him, the secure beginning of His works.
He did not do anything as if He had a magic wand: the process of Creation was secure and sustainable. The earth was not in space — it was a baby in the womb of the divine universe, just as the human being remains in the midst of the waters for nine months. “It was empty” because it still awaited the order to begin to germinate; it needed to be incubated, worked, prepared. Paul speaks of the birth pangs of Creation (Rom 8:5-15). But the Spirit of God incubated the surface of the waters, while God worked in His creative laboratory, the habitable world. The Holy Spirit worked this earth, incubating it, giving it life and warmth, so that it might hear the creative voice of the Ancient of Days.
The work of the Holy Spirit in the Old Testament was glorious. It begins with His going forth from the Throne, where He had been a witness of the rebellion of the Luminary (Lucifer). He came to prepare the ground for the building of a people of worshipers who would continue the work, in place of the third part of the angels expelled from the presence of God. Therefore, Paul says that we were made for a marvelous purpose: for the praise of the glory of God. The plan would not become reality if He did not involve Himself personally, deeply, and powerfully. The principal action of the Holy Spirit was to move over something, for His moving was always pro-investment; He never moves except for the glorification of God. From the beginning, this was His preparatory moving for a great creation: He was to move in order to fertilize the earth, preparing it for the creative work.
“Time” was a misunderstood word, for, before the “let there be light,” there were only eternal ages or generations. There was the Holy Spirit — and where He is, there is freedom. If the Spirit wishes to move, we must allow Him to move.
The great mystery of Israel’s departure from Egypt is revealed here, in the work of Creation. Reading Exodus 14, we understand why the darkness and the death of the firstborn would be the final plagues before the exodus of Israel (Ex 10:21-29; Gen 1:2); why the firstborn would die (Ex 12:29-33; 13:1-16); why there would be the parting of the waters at the Red Sea (Ex 14:21; Gen 1:6-10); why there would be light along the way (Ex 13:21); why Israel would spend forty years in the wilderness gathering the manna (equivalent to the six days of Creation), and why the manna would cease to fall on the seventh day, recalling the rest of God (Gen 2:3-6); why a vapor rose from the earth (Gen 2:6), recalling the moving of the Holy Spirit over the formless and empty earth — a type of the final outpouring of the Holy Spirit upon the new Creation, in Christ; and why Cain was to offer the firstfruits of the grains (Ex 13:1-16) and Abel, the firstborn of his lambs:
The earth was formless and empty; and there was darkness over the face of the abyss, and the Spirit of God was hovering over the surface of the waters. (Jer 4:23; Ps 104:30; Ex 14:21,26)
La Creación
Mientras el Luminar descendía al valle del Edén original, en el Monte Santo, para corromper a una tercera parte de los ángeles que servían a Dios en la adoración de las congregaciones del valle — orientándolos a registrar menos piedras encendidas (Is 6; Ez 28) —, los veinticuatro ancianos se indignaban por lo que sabían al respecto. Las piedras encendidas que llegaban para ser puestas en el Altar de Oro venían con una tercera parte menos de lo que se esperaba de las congregaciones de ángeles. Mientras se preguntaban si Dios, el Creador, sabía de aquella farsa, el Señor JeHoVaH se dirigía hacia el Centro de Creación del mundo habitable (Pr 8; Gn 2) para dar continuidad a su obra creadora y a todo lo que estaría en el firmamento, en el fondo de las aguas (2 P 3:4-6).
22El Señor JeHoVaH me poseyó como las primicias de sus obras más antiguas.
Antes, en el mundo espiritual y eterno23Desde la eternidad fui establecida, desde el principio, antes del origen de la tierra.
Antes del mundo físico24Cuando aún no había abismos, fui dada a luz, y antes aún de haber manantiales de agua abundante.
En la dispensación del misterio (Ef 3:9)25Antes que los montes fuesen establecidos, antes de los collados, Yo Soy.
En el Génesis, en el laboratorio del Anciano de Días26Cuando Él aún no había hecho la tierra ni sus campos, ni siquiera el principio del polvo del cosmos.
La expansión (Gn 1:6)27Cuando Él establecía los cielos, allí estaba yo; cuando hizo un círculo sobre la faz del abismo,
28cuando consolidaba el firmamento, cuando los manantiales subterráneos mostraban su poder;
29cuando Él decretó al mar su término, para que las aguas no traspasaran su mandamiento; cuando establecía los fundamentos de la tierra; (Job 38:10)
La Sabiduría como arquitecto, y la alegría divina30entonces, yo estaba con Él y era su arquitecto; y era diariamente sus delicias, regocijándome delante de Él en todo tiempo;
La tierra habitable entre los planetas31regocijándome en su mundo habitable, disfrutando mis deleites con los hijos de los hombres.
En busca de la Imagen perfecta para crear al hombre, Dios creaba también las aves, los animales terrestres y los peces del mar; pero perseguía la perfección de la Imagen — el cuerpo de Cristo —, en la cual también se basaría para crear al hombre.
Él es la imagen del Dios invisible, y el Primogénito de toda la creación.
(1) El dominador y la obra maestra (Gn 1:26): el hombre hecho según el patrón existente, Cristo (Col 1:15) — el ser, con el alma y con el espíritu. La Imagen era su cuerpo, preparado anteriormente; la semejanza, la parte espiritual; hecho para dominar en todas las áreas (Heb 10:5; Col 1:15). Dios habla en plural, entre sus tres personas, pero se refería, en singular, a su imagen: “a la nuestra.” La comunicación de la divinidad: son tres personas distintas, que poseen un solo nombre, un solo cuerpo, iguales en poder, en gloria y en señorío. No tenemos tres dioses, porque no tenemos tres cuerpos ni tres vínculos de unidad, sino un solo cuerpo y un solo vínculo; si este vínculo fuese quebrado, tendríamos tres dioses en manifestación visible (Heb 1:3,4). Pero la única imagen de Dios es Cristo — creada por Dios para su futura habitación. Es el cuerpo literal de Cristo (Col 1:15), que esperaba la encarnación. Dios protegía esta imagen; ninguna imagen que el hombre creara sería parecida a ella (Ro 1:23): no era imagen de un becerro ni fruto de la mente humana, era el cuerpo de Cristo.
El hombre fue hecho según esta imagen. La parte espiritual, invisible, de su ser no revelado era la semejanza espiritual de Dios. Dios es de naturaleza espiritual; en aquel tiempo, era dicótomo — formado de Espíritu y Alma —, faltándole la encarnación, pendiente en su mente, de acuerdo con la imagen creada para ello (Col 1:16).
La diferencia entre las palabras “hagamos,” de lo existente (“ash”), y “crear,” de lo inexistente (“barah”), se muestra claramente: “hagamos” indica la obra de Dios a partir del barro (Gn 2:7), y “creó” (v. 27) indica el momento en que Dios planeaba su creación. ¿Qué imagen y semejanza eran estas? La imagen era el cuerpo de Cristo; la semejanza, su ser espiritual, formado con la naturaleza de alma eterna y espíritu vivificante. ¿Por qué dijo que hicieran al hombre según su imagen y, enseguida, tomó del barro y lo formó? Porque lo creó antes en su mente; y el primer Adán vino a ser figura del Segundo Adán, pues este fue reservado para ser encarnado en el vientre de María — cuando el último pasa a ser el primero, y el primero, el último.
Así, la naturaleza del hombre pasó a componerse de hombre interior y hombre exterior (Ro 7:22). En el exterior de barro, Dios colocó los tesoros de la misma naturaleza de ese hombre interior, esto es, tesoros espirituales. Dios hizo para sí, antes de todo, un prototipo en forma de imagen, capaz de desarrollarse en el vientre de una mujer, y lo guardó para la encarnación; por eso, fue el Primogénito de la creación (Col 1:15). Él no creó aquella imagen original en su mente y, enseguida, la construyó de inmediato: la creó y la guardó (Gn 1:26). Por eso, en la hora de la formación del hombre terrenal, ya había una “maqueta,” bajo cuya arquitectura podían formar al hombre en la tierra (Gn 2:7). Así, formó el cuerpo del barro y el alma a partir de la unión con la naturaleza espiritual. Esto no quiere decir que Dios tenga un cuerpo — pues se limitaría demasiado —, sino que preparó para sí un cuerpo a fin de revelarse en medio de su obra (Heb 10:5).
Dios no envejece, no se arruga, no se vicia, no se hiere, no se desfigura, no se debilita, no se marchita ni se corrompe; es invisible, inmutable e inefable. Cuando los profetas describen la cabeza blanca del Señor, semejante a la nieve, hablan de su experiencia; cuando hablan de sus oídos, hablan de su atención a nuestra súplica; cuando hablan de sus manos, hablan de que todas las cosas fueron hechas por Él; cuando hablan de sus ojos, hablan de su omnipresencia; cuando hablan de su boca, hablan de la fluidez y de la inmutabilidad de su Palabra; cuando hablan de sus labios, hablan de su nobleza y del empeño de sus promesas irrevocables; cuando hablan de su lengua, hablan de su sabiduría; cuando hablan de sus pies, hablan de su prontitud para socorrernos y del dominio de su Reino; cuando hablan de su perfume, hablan de su majestad; cuando hablan de la manifestación de su rostro, hablan de su perdón; cuando hablan del dedo de Dios, hablan de su obra inmutable e incomparable; cuando hablan de sus brazos extendidos, hablan del alcance de su salvación, de la extensión de su dominio y de la obra expiatoria de su Hijo. Este, sí, asumió el cuerpo humano y lo elevó a la posición de vestidura de Dios, después de su encarnación y resurrección (Sal 8).
La imagen de Adán se enalteció con la gloria de este mundo, mientras la semejanza continúa su búsqueda del Creador, pues ama la vida eterna, las cosas celestiales y divinas; es santa y misericordiosa. La imagen, en cambio, hasta el nuevo nacimiento, ama los vicios de la concupiscencia por la vida perenne. Nada podía quitar del corazón ese amor por la vida terrenal sin Dios, sin Cristo; por eso, Dios se revistió de una imagen, por la encarnación, a fin de comunicarse al hombre y atraerlo a las cosas de su semejanza.
(La encarnación de Cristo.) Las tres personas de la divinidad preguntan: “¿Quién irá por nosotros?” Antes de la encarnación de Cristo, ¿quién comunicaría la Palabra del Señor? Isaías era un tipo de Cristo, pues su mensaje fue repetido por Cristo en su ministerio (Mt 12:37,38; 13:35).
En seguida, oí la voz del Señor JeHoVaH, que decía: “¿A quién enviaré, y quién irá por nosotros?” Entonces, yo respondí: “Heme aquí. Envíame a mí.” (Ez 10:5; Hch 9:4; 26:19)
El orden de los textos de la Biblia debería ser este, pues los hechos prueban que así fueron: (1) la conclusión de la palabra creadora de Dios, en su laboratorio del mundo habitable, en algún lugar de la eternidad, antes incluso de que todo apareciera. ¿Qué faltaba, cuando todo estaba acabado? ¡El hombre!
He aquí los orígenes de los cielos y de la tierra, cuando fueron creados, en el día en que el Señor (JeHoVaH) Dios (Elohim) hizo la tierra y los cielos. El texto muestra los vocablos crear y hacer: la creación planeada (“barah”) y la ejecutada (“ash”), esta basada en la materia prima ya existente.
Estos son los orígenes de los cielos y de la tierra, cuando fueron creados (“de lo inexistente”). En el día en que el Señor Dios hizo (“de lo existente”) la tierra y los cielos.
La necesidad de la aparición del hombre: después del sexto día, aparentemente nada estaba todavía listo; no había ninguna planta del campo en la tierra, pues ninguna hierba había brotado. Devocionalmente, entendemos que Dios no haría brotar nada sin la certeza de que habría un hombre para administrar su obra. La existencia del hombre requiere lluvia — es decir, son necesarias nuestra parte y la parte de Dios. Antes de la aparición del hombre, Dios no envió la lluvia; después de ella, todo brotó. Ahora, Dios crea al hombre, una vez que su provisión ya estaba preparada.
Ninguna planta del campo estaba en la tierra, pues hasta entonces ninguna hierba había crecido, porque el Señor JeHoVaH aún no había hecho llover sobre la tierra, y no había hombre que la labrara. (Gn 1:12; Job 38:26-28)
Los recursos, debidamente preparados, son bendiciones provistas con anticipación, ante grandes necesidades. He aquí el gran secreto de una vida humana larga y llena de años — y la razón por la que muchas especies desaparecieron de la tierra: la falta del clima original, como aquel vapor que subía de la tierra y la regaba.
Un vapor, sin embargo, subía de la tierra y regaba toda la superficie de la tierra.
La tierra fue creada como una masa trabajada por el Espíritu Santo en medio de las aguas (Gn 1:1–2:25). Desde este punto hasta la encarnación de Cristo, estaremos en plena dispensación del misterio (Ef 3:2). Antes del versículo tres de Génesis, muchas eras de la gran eternidad (“kairós”) pasaron, pero el tiempo aún no existía. En la eternidad, la tierra estaba en medio de las aguas, sin firmamento (Gn 1:2; 2 P 3:5).
Antes de ejecutar toda su obra, Él festejó su creación tomando un Cordero, tipificando al Cristo que había de venir. Por eso, la Biblia dice que el Cordero fue inmolado antes de la fundación del mundo (un tipo de “viernes,” en la eternidad); por eso, también, debía descansar en el séptimo día, tipo del futuro sepultamiento de Cristo.
Nada estaba listo en la realidad — solamente en los planes de Dios, en su laboratorio. En medio de las aguas, antes de la existencia del firmamento, la tierra navegaba, mientras Dios, en su precioso mundo de la eternidad, esperaba el desarrollo de sus leyes creadoras.
La obra creadora fue primeramente formada en su mente y creada en su laboratorio eterno, pues Él necesitaba un Profeta que fuese delante de Él, aun siendo el Creador (Éx 7:1): el Verbo estaba en la boca de su Profeta, el Espíritu Santo (Gn 1:2). El Profeta era el Espíritu Santo, y el Verbo, el ejecutivo — necesario, pues así la palabra se haría realidad cuando saliera de la boca del Anciano de Días (Dn 7:13).
Cuando Él creó los cielos y la tierra, ya había creado a los ángeles, con sus diversas clases, y el mundo eterno de Dios ya existía. Pablo llamará a ese tiempo “dispensación del misterio.” En ese período, el Verbo no estaba revelado; solamente el Anciano de Días, hoy conocido como Padre, estaba sentado en el Trono (Ap 4:1-3). La Nueva Jerusalén era apenas un plan. Él habitaba en el monte santo llamado Sión (original), en cuya plataforma estaba el Edén original de Dios, donde los ángeles habitaban y trabajaban en las congregaciones, y donde el Luminar (Lucifer) fue uno de los querubines guardadores — el único conocido como aforador de las medidas y conductor de las piedras encendidas (Ez 28:11-15).
Como todo lo que había debajo del Edén original (no el de Adán y Eva) era agua, la tierra fue primeramente creada en medio de las aguas, sin forma y vacía (2 P 3:4,5). Por millones de años, comparados a los días eternos, la tierra estuvo como un gran pez en medio de las aguas, hasta la hora de Dios (Gn 1:6; 2 P 2:5). Los cielos eran solamente aguas. Después de algún período eterno, Él vino a ejecutar las demás partes.
Antes, sin embargo, el Espíritu Santo debía incubar y fertilizar aquellas aguas; después de su trabajo, Él llegó con la Palabra ejecutiva. Los verbos que usa, en el capítulo uno, son imperativos. Todo sucede invisiblemente: hubo órdenes según la Palabra creadora, pero, aparentemente, nada se movió — solo la orden. Solamente ante los brillantes ojos del Creador todo apareció, en fe, pues su Palabra era infalible y no volvería vacía. Solamente en el tiempo del versículo 5, del capítulo dos, las cosas comienzan a aparecer y las hierbas a brotar. A partir de ahí, vemos la ejecución preciosa de su Palabra. No fue una vara milagrosa, fue una orden creadora; y todo debía obedecer a sus leyes, de acuerdo con la obra incubadora y fertilizadora del Espíritu Santo (Gn 1:2).
Los cielos eran agua, lodo, sin firmamento (2 P 3:5,6). “Y la tierra” estaba en medio de las aguas lodosas del cosmos, bajo las muchas aguas de las compuertas celestes — bajo cuidado y fertilización divina, a fin de ser trabajada por el Anciano de Días. La tierra no estaba en el espacio, sino en medio de las aguas, aunque primero estuviese sin forma y vacía, navegando como un submarino en medio del lodo. La tierra no fue creada juntamente con los cielos: primero Dios creó los cielos; después, la tierra — esta, sin forma y vacía, en medio de las aguas. ¡Pero aquellos cielos estaban compuestos de muchas aguas! La tierra navegaba como un pez informe, siendo fertilizada por el Espíritu Santo (1 P 3:4,5). El firmamento conocido solo vendría a ser creado después, en el interior de esas aguas. Antes, sin embargo, había el Cielo de los cielos, donde los cielos eran solamente aguas y tenían sus límites (Job 26:8,10). Los nuevos cielos fueron así llamados después de que, en medio de esas aguas, Dios abrió una expansión, en la cual trabajó a partir del versículo seis.
El verbo “barah,” aquí, debe entenderse como “crear de la nada, de lo inexistente,” para contrastar con el verbo “crear de lo existente, de lo hecho,” usado posteriormente (Gn 1:26). La coexistencia de la Sabiduría: la importancia de la Sabiduría, que es Cristo, en la creación de los cielos y de la tierra — la Sabiduría y la inteligencia como instrumentos del trabajo divino (vv. 19,20).
Por la sabiduría, el Señor JeHoVaH creó la Tierra; por la inteligencia, estableció los Cielos (Sal 136:5). La sabiduría influye en lo alto y en lo profundo. Por su inteligencia se hendieron los abismos, y las nubes de los cielos destilaron el rocío.
En (“en un”) principio, Dios creó (“de lo inexistente”) los cielos y la tierra. (Ap 10:6; Jn 1:1,2; Sal 8:3; Is 42:5; 44:24; 45:18)
La condición de la tierra, cuando todo era agua (2 P 3:5): la obra de Dios estaba en plena ejecución; la tierra no estaba así por algún siniestro, sino que esperaba la obra fertilizadora del Espíritu Santo. Es el primer tipo del Cordero, que estaría sepultado — informe, vacío y en tinieblas —, un tipo del gran “sábado en la eternidad” (1 P 1:20). El Creador, en siete días literales, finalizaría esta obra que planeó, probó y ejecutó en la eternidad. La tierra era sin forma porque ese fue el proceso natural de la Creación — no fue obra de un accidente, ni hubo accidente alguno destinado a frustrar las obras de Dios; ninguno de sus planes puede ser frustrado. Era un principio normal para Él, el comienzo seguro de sus obras.
Él no hizo nada como si tuviera una varita mágica: el proceso de la Creación fue seguro y sostenible. La tierra no estaba en el espacio — era un bebé en el vientre del universo divino, así como el ser humano permanece en medio de las aguas por nueve meses. “Estaba vacía” porque aún esperaba la orden para comenzar a germinar; necesitaba ser incubada, trabajada, preparada. Pablo habla de los dolores de parto de la Creación (Ro 8:5-15). Pero el Espíritu de Dios incubaba la superficie de las aguas, mientras Dios trabajaba en su laboratorio creador, el mundo habitable. El Espíritu Santo trabajaba esta tierra, incubándola, dándole vida y calor, para que oyera la voz creadora del Anciano de Días.
La obra del Espíritu Santo en el Antiguo Testamento fue gloriosa. Comienza con su salida del Trono, donde había sido testigo de la rebelión del Luminar (Lucifer). Vino a preparar el terreno para la edificación de un pueblo de adoradores que continuara el trabajo, en lugar de la tercera parte de los ángeles expulsada de la presencia de Dios. Por eso, Pablo dice que fuimos hechos para un propósito maravilloso: para alabanza de la gloria de Dios. El plan no se haría realidad si Él no se involucrara personal, profunda y poderosamente. La principal acción del Espíritu Santo era moverse sobre algo, pues su mover siempre fue pro-inversión; Él nunca se mueve sino para la glorificación de Dios. Desde el principio, ese fue su mover preparatorio para una gran creación: había de moverse para fertilizar la tierra, preparándola para la obra creadora.
El “tiempo” era una palabra mal entendida, pues, antes del “haya luz,” había solamente eras o generaciones eternas. Allí estaba el Espíritu Santo — y donde Él está hay libertad. Si el Espíritu quiere moverse, debemos permitir que se mueva.
El gran misterio de la salida de Israel de Egipto se revela aquí, en la obra de la Creación. Leyendo Éxodo 14, entendemos por qué las tinieblas y la muerte del primogénito serían las plagas finales antes del éxodo de Israel (Éx 10:21-29; Gn 1:2); por qué los primogénitos morirían (Éx 12:29-33; 13:1-16); por qué habría la separación de las aguas en el mar Rojo (Éx 14:21; Gn 1:6-10); por qué habría luz en el camino (Éx 13:21); por qué Israel pasaría cuarenta años en el desierto recogiendo el maná (equivalentes a los seis días de la Creación), y por qué el maná dejaría de caer en el séptimo día, recordando el descanso de Dios (Gn 2:3-6); por qué salió un vapor de la tierra (Gn 2:6), recordando el mover del Espíritu Santo sobre la tierra sin forma y vacía — tipo del derramamiento final del Espíritu Santo sobre la nueva Creación, en Cristo; y por qué Caín debía ofrecer las primicias de los cereales (Éx 13:1-16) y Abel, el primogénito de sus corderos:
La tierra estaba informe y vacía; y había tinieblas sobre la faz del abismo, y el Espíritu de Dios se movía sobre la superficie de las aguas. (Jer 4:23; Sal 104:30; Éx 14:21,26)
